Carta aos investidores – 3º trimestre 2019

Caros cotistas,

O terceiro trimestre do ano foi bastante intenso para os mercados. A economia global e, em especial, os Estados Unidos tiveram uma notável piora de seus indicadores de crescimento econômico. Não obstante, uma série de eventos geopolíticos – China x EUA, Brexit, conflitos no Oriente Médio e impeachment de Trump – tornaram ainda mais complexa a leitura do cenário externo.

O principal debate entre os investidores locais é sobre quando (e se) o mundo entrará em recessão, sua magnitude, e principalmente, se esta será suficiente para minar a recuperação da atividade brasileira, comprometendo a capacidade de crescimento dos lucros das empresas.

As quedas dos indicadores de manufatura ao redor do mundo e a crescente disputa entre China e EUA reduzem as expectativas de crescimento global (curiosamente, Brasil e Grécia lideraram o ranking de produção industrial em setembro). O efeito direto para o Brasil refletiu-se nos preços das commodities e na valorização do dólar.

Por outro lado, observamos um movimento coordenado de quase todos os bancos centrais de afrouxamento da política monetária, o que deve favorecer, no curto prazo, a redução do diferencial de crescimento dos mercados emergentes versus os países desenvolvidos.

Apesar das incertezas, as ações brasileiras expostas ao ciclo global de crescimento, como as exportadoras de commodities, já embutem uma grande desaceleração nos preços de seus produtos. Além disso, essas companhias, em sua grande maioria, estão passando por um ciclo de baixo investimento e grande geração de caixa. Assim, entendemos que caso não ocorra uma recessão no curto prazo, existe uma grande assimetria positiva nesses ativos.

Com relação à economia brasileira, formou-se consenso que estamos diante de um quadro razoavelmente benigno quanto à inflação e que o BC poderá estimular a economia deixando a taxa de juros real em níveis muito reduzidos. Entretanto, existe também um forte consenso que a economia não terá crescimento nos próximos anos, mesmo com esse quadro monetário extremamente estimulativo.

Discordamos desse consenso de mercado de que não haverá aceleração do crescimento. Sem entrar no debate de quanto o complexo cenário global descrito acima pode piorar as expectativas dos agentes, vemos um contexto bastante favorável para o aumento da velocidade de crescimento no Brasil, mesmo que ainda tardia.

Mencionamos nas cartas anteriores as consequências de o país experimentar juros nominais e reais historicamente baixos. Esse cenário se consolidou ao longo do segundo trimestre; e o avanço das reformas, ainda que aquém do ideal, consolida o país em uma trajetória controlada de suas contas – o CDS (índice que mede o risco-país) do Brasil está próximo da mínima histórica.

Aliado ao ajuste fiscal, a agenda temática está com claros sinais de avanço. A PL79, que melhora o marco regulatório de telecomunicações, foi sancionada, o marco regulatório de saneamento continua tramitando no Congresso, entre outras medidas de melhora de produtividade que estão sendo debatidas. Teremos uma grande rodada de concessões rodoviárias e de aeroportos. Provavelmente em novembro teremos o maior leilão de direitos de exploração de petróleo do mundo. É incontestável que o país oferece melhores oportunidades para o crescimento de lucro das empresas.

Por essas razões, temos elevado grau de convicção que a economia deve acelerar seu crescimento em algum momento adiante e a rentabilidade das empresas deve subir em ritmo ainda maior.

Podemos observar alguns setores e empresas que já começam a incorporar em seus preços esse cenário mais promissor. Por isso, atualmente a seleção das companhias mostra-se fundamental.

Muitas vezes uma empresa com história atraente e bastante popular pode ser um investimento de baixo retorno e, ao mesmo tempo, uma empresa com pouca perspectiva de curto prazo pode ser um investimento atrativo.

Importante ressaltar que o nível de preço dos ativos incorpora, em alguma medida, a manutenção dos juros em patamares reduzidos. Essa situação depende do andamento do ajuste fiscal. Assim, durante os próximos meses o mercado deve seguir sensível ao noticiário político.

Em resumo, seguimos confiantes com o avanço das reformas e os efeitos secundários do afrouxamento monetário em curso no país. Os riscos externos nos parecem relativamente incorporados nas expectativas, e consequentemente, nos preços das ações.

 


1 – Início do fundo: 14/02/2019 / A rentabilidade obtida no passado não representa garantia de resultados futuros. Os investimentos em fundos não são garantidos pelo administrador ou por qualquer mecanismo de seguro ou, ainda, pelo fundo garantidor de crédito. Para maiores informações acessar o site www.moat.com.br.